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From My Office Window escrita por mandy_haruno


Capítulo 24
Consulta.


Notas iniciais do capítulo

Olá meninas!
Como estão?
Sinceramente, eu já estou esperando as foices e facas na minha direção.
Gente, a FMOW já está chegando ao fim. Espero que nenhuma de vocês parem de ler nos quarenta e cindo do segundo tempo, se leram até agora conseguem ler mais uns 3 capítulos não acham?


Agora eu juro que não terá nada de muito péssimo, só vem a glória!
Espero que gostem desse capitulo, eu particularmente achei-o o mais lindo de todos da fanfic inteira.

Boa leitura :)




É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.

Clarice Lispector

Edward:

Mais um dia. Abri meus olhos encarando o teto aquela cama era grande demais para mim, respirei fundo depois de vestir minha mascara novamente. Desde a ultima vez que vi Isabella decidi voltar a ser o que eu era mesmo sabendo que aquilo seria meu suicídio.

Tomei um banho frio, fiz a barba perfeitamente e penteei os cabelos, agora mais curtos que antes. Encarei o homem do espelho e sinceramente tive pena ao ver seus olhos. Saí do transe e me vesti impecavelmente com um terno qualquer, só não coloquei uma gravata.

Na cozinha peguei um copo com água, meus olhos caíram nos frascos dos medicamentos que aprendi a tomar. Eu não queria continuar com isso, seria mais fácil definhar sem eles quem sabe eu morreria mais rápido? Mas não.

Eu não faria Alice passar por tudo aquilo outra vez e por falar nela, aquela pequena estava furiosa tanto que parou de conversar comigo. Pelo simples motivo que eu era cabeçudo demais e tinha feito exatamente o contrário do que ela havia me dito há alguns meses atrás... Quando Isa sumiu de vez da minha vida.

A dor latente voltou a me cortar, ela não havia diminuído parecia ter aumentado de tamanho a cada dia que se passava. Respirei fundo e engoli os medicamentos. Segui para a sala peguei uma cartela de cigarros em cima do sofá e acendi um, segurei minha mala firmemente e fui para a Alphabridge.

Eu pensei que Renée me mandaria embora em dois tempos depois de descobrir o que aconteceu entre mim e sua filha, mas na ultima vez que a vi ela apenas me olhou terna e balançou a cabeça como se estivesse me chamando de bobo, o que eu realmente era.

Mais uma vez aquela empresa passava por uma situação delicada, a Pocahontas de calças não havia saído do projeto como eu imaginei. Agora se mantinha calado nas reuniões, apenas escutando, eu estava extremamente desconfiado com aquela atitude nada bom sairia daquele ser. Porem não podia mandá-lo a merda outra vez, afinal eu precisava cumprir tudo que eu havia prometido e estava fazendo isso.

- Bom dia Edward. – Jenna me cumprimentou.

- Bom dia. – respondi e entrei em minha sala. – Qual a programação do dia?

- Temos que rever aquelas planilhas sobre os gastos do material do novo projeto Edward e a tarde terá que apresentar a maquete do resort na Goldenshare. – Ela me olhou receosa, eu apenas retribui o olhar de maneira indiferente.

- Ok. Jenna me trás algumas aspirinas, por favor? – Pedi e despi do paletó, hoje o dia seria longo, muito longo.

Bella:

- Filha você tem que sair daqui, aceita isso. – Renée estava na minha frente com os braços cruzados, me encarando daquela forma ranzinza. Nosso relacionamento melhorou muito desde que... Desde que eu descobri que estava grávida e cheguei à conclusão de não dizer sequer uma palavra para Edward.

Ele havia deixado claro que seria como se ele não existisse e eu estava me esforçando para isso. Algo impossível, pois sempre me pegava imaginando meu bebê e pedindo com todas as forças que os olhos dele sejam idênticos que aos do pai.

- Não mãe, por enquanto aqui está ótimo. – Murmurei.

-Filha, eu preciso cuidar de você nesse momento tão especial da sua vida! E eu posso te oferecer um ótimo apartamento em Park Avenue com quantos cômodos for necessário! Essa criança vai precisar de espaço e conforto, Isabella e teu loft não seriam ideais para ela.

- Eu sei disso, mas ainda tenho tempo não é. Agora que eu estou no quinto mês. Até essa bolinha sair daqui vou estar em outra casa com outros móveis... Mas eu estou muito bem aqui no momento. - Dei de ombros com as mãos repousadas na saliência que se formou ali.

Renée suspirou.

-Vai mesmo esperar para fazer a mudança com um recém nascido nos seus braços? É por isso que estou insistindo esse tanto minha filha! Eu sei que como é difícil criar um filho... eu falhei com você e só quero que você não cometa os meus erros com essa criança.

Sorri para Renée derrotada. - Eu escolho a cor das paredes. - Senti uma dor nas costelas. - Ai!

Renée logo correu até o meu lado.

-O que houve? Se sente bem?

- Acho... Acho que o bebê chutou. - Tive um sorriso enorme na face, pela primeira vez eu senti minha criança se movimentar dentro de mim, aquela sensação foi a coisa mais perfeita que eu poderia sentir, meu peito se estufou um pouquinho mais. Uma outra pontadinha foi sentida. - De novo mãe!

Renée sorriu também e apalpou minha barriga.

-Acho que o bebê já está grandinho o suficiente para sabermos se é uma menininha ou um menininho. - Ela disse. - Nossa como é agitado! Esse vai ser hiperativo... Meu netinho... - Ela beijou minha barriga e eu sorri.

- Mãe agora eu tenho mesmo que ir. - Suspirei e catei minha bolsa do sofá. - Já sei... Não precisa repetir todo o sermão de “eu quero cuidar de você, e você não precisa trabalhar e bla bla bla.” Estou indo a noite nos vemos?

Ela me abraçou.

-Tenha cuidado minha filha, vá com Deus. E pode deixar que eu cuido de marcar a consulta.

Logo que sai de casa fui abraçada pelo calor do sol do fim da primavera, as minhas estações do ano preferidas estavam ressurgindo finalmente. Minha vida estava seguindo da melhor maneira que eu conseguia, a bolinha dentro de mim era a única coisa que me mantinha viva. Apenas por este ser que eu viveria e me entregaria de corpo e alma.

Ficar sem ele era como se navalhas cortassem meu coração, mas eu pensava no meu filho. Na dádiva que Edward havia me dado mesmo sem saber, nós estávamos ligados um ao outro de uma maneira inquebrável. Pelo menos eu teria uma lembrança viva dos momentos mais lindos da minha vida, uma prova que tudo não havia sido apenas um sonho que acabou cedo demais.

Cheguei em minha humilde barraca e me acomodei devagar, minha barriga estava enorme para cinco meses, as minhas roupas ajudavam a disfarçar o aumento em meu estomago. Hoje estava trajando um vestido azul soltinho, me deixava confortável e livre do calor excessivo. A gravidez era uma coisa louca, meus sentimentos estavam cada vez mais sensíveis e qualquer bobagem era motivo de gritos e choros.

E pensar que já fazia cinco meses que ele foi embora fazia meu coração diminuir no peito. Meus olhos seguiram para aquela janela que me prendia por vários minutos um tempo atrás, parecia milênios que eu apenas o via de longe. Suspirei apoiando meu rosto nas mãos, vi as pessoas andando e uma mulher junto com uma menininha chamou minha atenção.

Elas estavam atravessando a avenida e aquilo me fez sorrir, daqui alguns anos quem ajudaria uma criança a atravessar seria eu e o pequeno ser seria o meu. Acompanhei as duas chegarem até o meio-fio em frente ao tão conhecido prédio espelhado, meus olhos se levantaram e o sangue gelou nas veias, meu coração bateu loucamente.

Uma tremidinha aconteceu na minha barriga, talvez meu filho estivesse me perguntando o que estava acontecendo. Eu responderia sem pensar, o pai dele estava na minha frente.

Edward:

Foi uma reunião muito complicada, mas estava um pouquinho de nada mais confiante. Passei por Ângela que me recebeu com um sorriso caloroso e entrei no elevador, nada tinha mais a verdadeira importância para mim. Eu tinha minhas metas e estava as seguindo perfeitamente, depois que as conseguisse eu não tinha ideia do que fazer.

Minha vida era e continua sendo Isabella, mas não poderia tê-la outra vez então nada mais era importante. Saí do prédio já com um cigarro nas mãos, parei por breves instantes para acendê-lo. Preparei-me para colocar os óculos escuros e estaquei.

Alguém em algum lugar deveria estar rindo da minha cara. Essa droga de destino estava brincando comigo não é? Era ironia demais para mim. Isabella estava ali me encarando com o cenho franzido parecendo estar preocupada. Da mesma forma que fez na primeira vez que nos encaramos.

Aquela mulher estava mais bonita do que nunca. Meu coração batia furiosamente no peito o cigarro preso em meus dedos escorregou. Ela estava ali? Sim estava e aquilo foi o suficiente para me dar a vontade de correr para ela e beijar sua boca durante toda a minha vida.

Senti uma brisa tocar-me da mesma forma que fez com ela, seus cabelos se movimentaram graciosamente junto do tecido de seu vestido. Meus olhos desceram até seus ombros, seios e abdômen. Sua barriga estava bem maior que antes e redondinha, senti meus olhos se esbugalharem com a ideia que havia se formando em minha cabeça.

Ela virou-se de costas para mim e passou a caminhar. Não ela não fugiria agora! Corri até alcançá-la, toquei em um de seus braços a deixando de frente para mim. O magnetismo que se formava conosco antes me atingiu de maneira poderosa, meus olhos se encontraram com os dela.

Azul no castanho, castanho no azul. Isabella era a mãe do meu filho tinha absoluta certeza disso.

-Isa... Você está grávida? - Claro que eu tinha que começar pela pergunta mais óbvia.

- Não. - Ela bufou sonoramente. - Engoli uma melancia. Me solta, por favor? - Ela ordenou.

-Como não me falou disso antes? - Quase grunhi de frustração. - Planejava que eu não conhecesse meu filho?

- Quem disse que esse filho é seu? - Isa mentia descaradamente, eu via isso em seus olhos. Abri minha boca descrente, e então engoli a seco.

-Porque eu fui o primeiro homem da sua vida... E tenho certeza que pelo tamanho da sua barriga, você está grávida há bastante tempo... E... Você não me trairia com Jacob dessa forma. - Meus olhos marejaram e senti meu peito arder só com essa possibilidade

- Cabeção dos infernos! Você é um idiota Edward, eu quero do fundo da minha alma te matar. Como você consegue cogitar essa ideia? Estúpido! Eu não te traí momento algum, quem quis ir embora foi você e se não se lembra eu implorei para que ficasse. Você quis assim então será assim. - Seus olhos endureceram e ficaram marejados, Isabella secou-os com brutalidade.

Trinquei meus dentes, todas as minhas barreiras internas estavam cedendo com uma incrível facilidade ouvindo as duras palavras dela... Cinco meses atrás ela tinha me implorado para ficar e eu cego com tudo que tinha visto, dei-lhe as costas...

–Eu nunca quis te deixar, Isabella.

- Mas deixou. - Ela recuou. - Me deixou despedaçada e no escuro Edward, mas não sozinha. - Seus braços rodearam sua barriga e seus olhos não estavam mais em mim. Arfei com aquelas palavras e naquele exato momento eu decidi que a teria de volta.

-Isabella - minha voz saiu engasgada. Encarei seu ventre avantajado... Meu filho...

- Adeus Edward. - Disse ela de costas outra vez, segurei seus braços puxando seu corpo para mim. Suas costas tocaram meu peito, minha boca a centímetros de seu ouvido. Arrepiei-me por completo por tê-la assim tão próxima.

-Não. Nunca mais diga adeus para mim... - Eu disse apertando-a contra mim, com extremo cuidado. - Não quero mais cumprir minha promessa, eu quero a você, Isa, eu necessito de você na minha vida... Necessito de vocês dois. - Eu disse pondo uma mão em sua barriga.

-Eu não suporto mais sua indecisão Edward, por que sempre faz isso? Por que sempre que eu consigo me reerguer um pouco você volta e desmancha tudo? Volta de uma forma brusca, sem me dar escolhas. - Isa sussurrou. - Mas que merda! Definitivamente eu preciso de cafeína.

Eu ri de seu comentário e beijei seu rosto.
-Eu te compro o melhor Starbucks que você puder imaginar. Vamos?

- Te odeio! - Ela disse entredentes e agarrou uma de minhas mãos jogando suas palavras por terra. Um sorriso apareceu em meu rosto. - Tira esse sorriso da cara Cullen, seu filme está muito queimado. - Congelei minha face em uma expressão séria tendo uma dificuldade absurda.

-É bom estar com você de novo também, Miss Simpatia. - Não evitei o riso enquanto atravessávamos a rua indo em direção a Starbucks que tinha ali perto.

- Fica na sua. - Ela grunhiu e logo após suspirou, a cafeteria já havia entrado em nosso campo de visão. - Estou com medo Edward. - Mal escutei suas palavras, por causa do barulho daquela cidade enorme. Fiquei em silencio até entramos no estabelecimento, a guiei até uma mesa afastada e ajudei-a a se acomodar, fiquei de frente a ela.

-Medo? Por quê?

- Deixa de ser tapado Cullen. - Ela deu um tapa em minha testa. - Como vai ser o futuro dessa criança? Eu não sei se estarei viva se quando ela precisar.

-A gravidez é de risco? E você está indo trabalhar com uma gravidez de risco? - Empalideci e senti que se ela confirmasse isso eu ia acorrentá-la em casa e ficaria na porta de tocaia se preciso para salvar ela e o bebê de ela mesma.

- Edward esqueceu que eu sou soro-positiva? Minha gravidez é delicada, porque qualquer coisa pode me afetar e isso faria toda a diferença para o bebê. Nosso bebê pode ser infectado no parto mesmo que eu esteja tomando todos os medicamentos ao pé da letra e aceitado minha carga de remédios que dobrou de quantidade. - Ela suspirou.

Oh! tinha me esquecido totalmente desse detalhe... Nosso filho ainda teria de passar por mais esse pequeno grande detalhe, seria ele soro-positivo também quando nascesse e teria de tomar todo aquele coquetel por ter simplesmente feito nada além de nascer de pais soro-positivo? Ele nos odiaria por dar a ele de presente uma doença terrível?

-O que o médico te disse? Quanto a isso eu quero dizer. - Eu perguntei ainda meio paralisado com minha linha de raciocínio... Amar um filho que te odiaria...

- As noticias são muito boas. Se eu fizer o tratamento todo desde o inicio do pré-natal a chance da criança herdar o vírus é menor que um por cento. - Isa sorriu um pouco. - Mas mesmo assim Edward. Estou preocupada com essa bolinha aqui dentro. - Ela tocou seu abdômen com delicadeza, me deixando com a vontade quase que incontrolável de tocar ali também.

-E você vem fazendo tudo certinho não é? - Eu sabia que não tinha por que de perguntar isso, Bella não era irresponsável a ponto de deixar algo tão importante de lado.

- É obvio, meu filho é a única coisa que me mantém inteira. - Sua voz saiu fria e aquelas palavras atingiram pontos estratégicos em mim. - E Renée não me dá mais paz depois que soube.

-Isa eu... - Suspirei tentando ignorar o quanto aquelas palavras tinham me doído. - Queria realmente ter voltado atrás e ficado com você naquela noite... Eu juro que não tem nada que eu me arrependa mais do que isso.

Bella:

Sentia dificuldade para respirar, meu coração havia entrado em batalha com minha razão e meu orgulho cutucava ambos os lados. Edward parecia ainda mais lindo que antes.

Seus cabelos agora estavam mais curtos e organizados tanto quanto o corte permitia, pois os fios acobreados continuavam rebeldes. A barba muito bem feita deixava a pele cor marfim a mostra, seus olhos estavam mais intensos do que nunca e outra vez sentia que estava mergulhada no oceano.

Segurava a caneca com força, obrigando minhas mãos ficarem estáticas. Vê-lo me deixou anda mais desorientada e fez a bolinha em meu útero vibrar loucamente.

- Não interessa mais. – Falei o mais indiferente que consegui, mas aquilo doía em mim. Porém não poderia me deixar cair afinal agora eu tenho um filho que está inquieto demais para me deixar fingir tranqüilidade. Fiz uma careta ao sentir um chute forte em minhas costelas.

-Isa? Tudo bem? - Ele perguntou vindo imediatamente até mim e deixando os braços no ar para me amparar a qualquer segundo.

- Apenas uma diferença de pontos de vista dentro de um único corpo. Ele ou ela vai ser teimoso igual os pais. - Sorri um pouco antes de sentir outra pontada. - Para de me chutar! - Grunhi esfregando as mãos em minha lombar.

Ele agachou e sem minha permissão, tocou minha barriga, a resposta da bolinha foi imediata em um pontapé certeiro por cima de sua mão. Meus olhos foram ate o rosto de Edward, uma lágrima desceu pelos seus olhos, seus lábios tinham um sorriso e seus lábios beijaram o volume ali.

-Oi meu filho, não machuque a mamãe, fique calminho, papai está aqui... - Ele disse baixinho para a minha barriga.

Aquele momento foi tão certo, todas minhas defesas se esvaíram e sinceramente eu poderia beijar o homem que estava ali abraçado a nós. Sim, nós porque meu corpo já não era totalmente meu, a bolinha se acalmou quase que imediatamente. Repousei uma das mãos sobre a dele e a outra acabou naqueles fios sedosos.

- É... Hum... Algum palpite sobre o sexo? - Foi a única coisa que consegui balbuciar, meus olhos ficaram marejados. Pisquei repetidas vezes na tentativa de prender as lágrimas ali.

-Não importa se for menino ou menina. - Ele disse beijando a minha barriga e se levantando. - Ele ou ela vai ser nosso filho, e Isa, eu vou fazer de tudo para te conquistar novamente e te provar, que eu vou ser o melhor pai, o melhor amante e marido da face da Terra.

- Você sendo um bom pai é o suficiente. - Murmurei constrangida, não estava preparada para essa conversa e muito menos para essa abordagem.

-É agora um dos meus maiores objetivos, não vou deixar meu filho passar pelo que eu passei. Quero que ele saiba que eu o amo, já a partir de agora, a partir do momento que eu te vi na calçada... Eu amo a vocês dois. - Ele tocou meu rosto - Eu nunca deixei de te amar.

- Cuidado com o que diz Edward, eu posso acreditar. - Sussurrei, seus dedos fizeram um formigamento bom em minha bochecha, fechei meus olhos aproveitando aquele carinho.

-Acredite, pois é a mais pura verdade... - Ele disse vindo ate meu ouvido. - Eu te amo, Isabella Swan, eu sempre amei e sempre irei amar, até que o infinito acabe que o oceano seque... Nada se compara ao amor que eu sinto por você.

Minhas mãos alcançaram o rosto dele sem pensar no que fazer apenas puxei-o para meus lábios. Nossas bocas se tocaram e tudo desapareceu, não foi nada de intenso ou ardente, apenas o roçar de nossos lábios. Descobri que a falta que Edward fazia era muito maior do que eu imaginava, o cheiro de almíscar e hortelã misturado com o cheiro de cigarros atingiu meu nariz e a certeza que eu não viveria sem ele ficou ainda mais palpável. Soltei-o e fiquei o mais distante que a cadeira me permitia, eu não sabia o motivo de eu ter feito isso, apenas precisava.

- Desculpe. - Ele piscou algumas vezes e nada disse. Apenas aproximou-se de mim e pôs ambas as mãos no meu rosto.

-A única desculpa que eu aceito é por ter parado tão cedo o beijo. - Ele disse sorrindo. - Que tal sairmos daqui e irmos para algum lugar... Namorar, matar as saudades...

- Edward eu não sei se... Se estou preparada para voltar a ser o que era antes, só te peço que tenha paciência comigo tudo bem? Vamos tentar aos poucos... - Disse receosa, e de fato era verdade minha mente havia dado um nó. Não sabia o que pensar disso tudo havia acontecido rápido demais. Porem não o queria longe, eu estava confusa comigo mesma e aquilo me assustava.

Ele sorriu.

-Vamos ao Central Park, pode ser? Tomar um sorvete bem gostoso.

-Adoraria, mas... - Mordi o lábio e o sorriso maroto de Edward minguou. - Acho que tenho outra coisa para fazer.

Ele franziu o cenho em desagrado, isso era nítido para mim que tinha a experiência de observá-lo. - Eu posso saber o que é? - Sua voz saiu controlada.

A tensão que ele disse isso me fez explodir em uma gargalhada, fazia tanto tempo que eu não ria desse jeito que eu me assustei o quanto meu riso era simplesmente espalhafatoso.

-Sério, sua cara está impagável. - Disse entre o acesso de riso.

Edward me encarou emburrado e suas bochechas estavam coradas. Edward estava corando, isso era algo muito, muito precioso. - Tudo bem, pode rir de mim.

-Sério, bonitão. - Eu disse apertando sua bochecha direita. - Não precisa ficar ranzinza, você pode vir comigo, alias, eu preferiria que você viesse comigo.

- Eu diria que isso teria volta, mas como você está grávida do meu filhote eu vou ficar quieto. - Edward sorriu torto. - Aonde vamos?

-Ao hospital, - Disse sorrindo. - Vamos descobrir se nosso bebê é uma menina ou um menino.

Respondi e imediatamente senti meus olhos umedecerem, eu nunca tinha me imaginado mãe, quando aconteceu, me senti ao mesmo tempo triste e feliz, feliz pelo espaço extra que meu coração tinha para amar a pequena bolinha e triste por estar sem Edward... Mas agora, eu não conseguia imaginar algo mais perfeito, Edward o pai da pequena criaturinha que eu tanto amava, ao meu lado, segurando minha mão enquanto ouviríamos o coraçãozinho do nosso bebê e descobriríamos quem ele realmente era, uma menina ou um menino...

- Está falando sério? - Edward perguntou abobalhado, seus olhos claros se arregalaram e um largo sorriso tomou seus lábios. - Você quer mesmo que eu vá? - Sua voz soou como a mais bela canção em meus ouvidos.

-Nós queremos. - Eu disse pousando uma das mãos sobre meu ventre.

- Quando iremos? – Edward perguntou com o sorriso mais lindo no rosto, seus olhos brilhavam com tamanha intensidade que eu poderia me perder neles com mais facilidade ainda.

-Agora... Acho que não tem problema, minha mãe praticamente tocou o terror naqueles médicos, dizendo que se um não me atendesse um processo monstruoso ia destroçá-los... - Ri lembrando-me do pequeno show a parte que Renée tinha feito quando fui a uma das minhas primeiras consultas.

- Sua mãe é fantástica! - Edward sorriu. - Precisa de ajuda para levantar? - Perguntou ele com os braços quase me rodeando.

-Não seja ridículo, não estou aleijada, só grávida. - eu disse me levantando levando um pouco de tempo para conseguir pleno equilíbrio. Era como ter um saco de arroz amarrado a sua frente... Ri internamente com a comparação sabendo que tinha sido mais do que exagerada.

- Só estou tentando ser prestativo Isabella, não me desanime. - Edward grunhiu e jogou algumas notas sobre a mesa. Segurou-me entre seus braços deixando um repousado em minhas costas e o outro em minha barriga. - Nem vem com cara feia porque não vou te soltar.

-Ta bom, - Eu disse olhando-o. - O senhor prestativo está com o carro por perto? Andar até o hospital me deixa meio cansada agora, acho que fiquei meio mole.

- Não acha melhor me esperar sentada? Eu busco o carro no estacionamento aqui perto e volto em dois minutos. Você está bem mesmo Isa? - Ele perguntou quase que desesperado, segurou meu rosto entre as mãos me olhando diretamente nos olhos.

-Como eu disse gravidez não é doença. Estou ótima e eu aguento andar até o carro, Edward. - Me queixei, detestava ficar desse jeito dependente e comecei a andar até a suposta direção do carro.

- Jura? - Sua voz saiu fraquinha ao meu lado, seus braços voltaram a me abraçar, aquilo foi bom e ruim. Bom porque Edward estava ali comigo e ruim porque eu não aguentava aquela super proteção, já bastava minha mãe.

-Juro, não vê estou andando! - Respondi e fiquei surpresa como o tom de irritação tingiu minha voz, a instabilidade emocional era uma das coisas irritantes sobre estar grávida.

- Desculpe. - Edward sussurrou e continuou em silencio ao meu lado. - Por aqui. - Ele me guiou pela avenida constrangido, aquilo me fez sentir culpada.

-Eddie, eu é quem peço desculpas. - Eu disse olhando-o. - Sério às vezes esse coisa toda de todo mundo querer ajudar irrita e... Minhas emoções estão impossíveis! - Esperei que ele me desculpasse com ansiedade, não queria vê-lo triste.

- Só quero te ver bem minha menina. - Ele sorriu e beijou minha testa. - Pode fazer o que quiser comigo, não me importo.

-Isso é uma oferta um tanto quanto ousada e inesperada partindo de você e seu ego inflável... - Eu disse tentando descontrair.

- Bem... Eu faço uma exceção para a mãe do meu filho, mas não conta para ela. Se não ela abusa sabe? - Edward riu baixinho.

Entramos em um estacionamento próprio ele me deixou perto dos elevadores me pedindo para esperar então desapareceu. Depois de pouco tempo um carro esportivo preto parou em minha frente, definitivamente aquele carro era lindo. Edward saiu do veiculo e veio até mim outra vez.

- Acompanhe-me, por favor, Lady. - Abriu a porta e me fez entrar, deu a volta e ligou-o.

-O que aconteceu com seu Volvo?

- Revisão anual. - Ele deu de ombros, apos alguns segundos em silencio ele voltou a falar. - Eu estaria sendo muito ridículo em estar nervoso? - Edward me olhou de esguelha receoso.

-Não, você fica lindo desse jeito. - Lancei-lhe um sorriso largo. - Você vai ver, o bebê é lindo, o médico disse que ele é grandão.

Edward:

O que Isabella havia dito sobre nosso filho me fez sorrir... Meu filho.

Eu não poderia me sentir melhor, não sabia como descrever o que se passava em mim. Algo em meu peito despertou quando vi Isa e tive a certeza de que ela carregava um filho meu. Algo parecido com uma vontade tão forte de protegê-los de qualquer coisa que os ameace minimamente, o amor que eu guardava por ela parecia ter crescido absurdamente e duplicou para a pequena criatura que se formava dentro de sua barriga.

Isabella me queria junto dela na consulta de hoje, ela havia me permitido ver a parte de mim que se formava dentro dela. A droga de sorriso idiota não saía do meu rosto, e pouco me importava.

Eu agora tinha uma família apenas minha. Minha mulher e meu filho, comigo para sempre. Tudo bem que Isabella se mantinha receosa em me aceitar assim tão rápido, eu até poderia entender sua resistência, mas ela seria inútil. Isabella voltaria a morar comigo não importa como, agora que ela estava grávida não a deixaria sozinha. Jamais.

- Minha princesa, você continua a morar no loft? – perguntei a chamando da maneira de antes propositalmente. Olhei-a por breves segundos e percebi suas bochechas tomarem o rosa-Isabella.

- Oras Edward, claro que sim. – Ela desviou os olhos para a janela do carro nitidamente constrangida.

- Você sabe que lá é pequeno para você e nosso bebê sobreviverem, certo? – perguntei já avistando o Prebysterian. Ela suspirou.

- Sei Edward, Renée já esta me irritando com esse assunto, mas não queria sair de lá por enquanto. – Isa respondeu olhando os pés, ficando um pouco mais rosada. Estranhei sua atitude, mas preferi perguntar isso depois.

- Bem... Para que horas é a consulta princesa? – Perguntei mudando o assunto, mas eu retornaria a ele depois, definitivamente.

- 16h: 30 min. – Isa respondeu com um pequeno sorriso nos lábios. Entrei no estacionamento do hospital e estacionei o mais próximo da entrada, não deixaria Isa se exercitar demais.

- Chegamos no horário então. – Chequei o horário no painel eletrônico antes de desligar o veículo.

Desci e abri a porta para Isabella, ofereci minha mão esquerda para ajudá-la. Ela me olhou com uma pequena careta que fiz questão de ignorar, segurei sua mão a amparando em sair do carro. Quando Isa estava de pé, passei meu braço pela sua cintura, depositei um beijo em sua bochecha e liguei o alarme.

- Nem adianta vir me xingar porque eu não vou parar. – Avisei-a antes dela dizer algo.

- Ai, agora estamos ferrados bebê. Pelo visto o pai aqui é do estilo super protetor.

Ela me olhou de um jeito acolhedor, que aqueceu todo meu corpo. Deslizei os dedos em seu rosto e aproximei-me um pouco mais, porem me travei antes de fazer algo impensado. Isabella havia dito um talvez, eu sei, porém agora não seria hora de pressioná-la, depois da consulta quem sabe.

- Não vão se livrar de mim. – Respondi perdido em seus olhos amendoados.

- Nós não queremos nos livrar de você. – Isa me olhou enquanto dizia e desviou os olhos para um ponto qualquer que não seja eu, suas bochechas voltaram a enrubescer.

Sorri com suas palavras e a prendi um pouquinho mais sobre mim. Entramos no recinto no ritmo que Isa quis, preferi ficar calado para não irritá-la. Eu tentava esconder minha euforia desenfreada enquanto íamos para a ala de maternidade. Entramos em uma sala ampla de espera suas paredes eram brancas e outro casal também esperava a consulta ali.

- Me espera? Só vou confirmar a consulta com a secretária. – Isa pediu olhando-me. Uma mulher estava sentada organizando alguns papéis de frente para um computador.

- Tudo bem. – Concordei, Isa seguiu até ela e eu me sentei mais próximo a grande janela. Peguei uma revista qualquer que estava próxima e passei a folheá-la.

A revista era toda sobre assuntos sobre a maternidade e como cuidar do bebê. Parei em um artigo que falava sobre as mudanças que aconteceriam com a mulher nesse período.

Quando a cegonha bate a porta, uma, duas vezes...

Um dos ápices da vida de qualquer pessoa é o período em que junto com o parceiro ou parceira, eles formam descendentes de seu sangue, sua origem, uma continuidade, uma extensão de você mesmo para um ser completamente novo e único, pois será uma partilha, do pai e da mãe.

Esse ápice é ainda mais visível na forma da mulher, pois ela é quem carrega esse pequeno e incalculável tesouro em seu ventre. O corpo da mulher se modifica para o maior conforto do feto que cresce e cresce, mês a mês dentro dela, seus seios se enchem para oferecer o primeiro alimento para o bebê...

Apesar de tudo soar como um verdadeiro sonho cor de rosas engana-se quem pensa que gravidez não tem suas dificuldades e suas faces ruins. Pesquisas comprovam novamente que a vaidade feminina e o altruísmo falam quase que gritantes nesses tempos, o que deixa que tais sinais passem despercebidos. Que sinais? Ora, nenhuma mulher gosta de engordar um quilo, quem dirá vinte! Os seios ficam desconfortavelmente inchados, o humor fica instável... E auto-estima pode até mesmo ser abalada.

Como suportar esse período difícil? Ai que entra a parte do amor entre o casal. Claro que a gravidez não se resume apenas a mulher, quando a mulher engravida, a família engravida junto, o parceiro principalmente. É mais do que essencial o apoio incondicional de ambas as partes, é importantíssimo que o parceiro ainda a diga que ela está linda, que mesmo que ela esteja berrando horrores com ele, que ele a abrace e diga que a ama, ou que ama a criança que ela tanto se sacrifica para manter em seu ventre.

Por isso, não importa o estado civil, casado, divorciado, solteiro... O mais importante, é o amor compartilhado direcionado a criança, pois se você se separou ou se você engravidou sem se casar, a criança de nada tem culpa com isso, ame-a, e mostre que ela tem uma família que a ama, que ela é como todas as outras crianças do mundo têm pai, mãe, avô, avó, tio, tia...

Com todo esse amor, com a criança sentindo ser amada, não tem erro, ela será feliz, o lar será sempre cheio de vida e as dificuldades, serão apenas pequenas pedrinhas facilmente removíveis do sapato de cada um.

- O que está lendo? – Escutei sua voz pertinho de mim, sorri para Isa jogando a revista de volta onde eu tinha a achado.

- Nada de mais. – Abracei-a quando ela havia se sentado. Meus dedos da mão esquerda acariciavam seu braço e minha mão direita havia se repousado junto com as dela sobre sua barriga. – Qual é o seu médico? – Sussurrei próximo a sua orelha, percebi sua pele se arrepiar.

- Minha mãe ficou louca até conseguir meu atendimento exclusivo com Paul Willians, um dos melhores no ramo.

Isabella riu um pouquinho, senti meu corpo tenso ao descobrir que era um homem que estava atendendo minha mulher, porem antes que eu ficasse realmente preocupado com qualquer coisa Isabella deitou-se em meu ombro. Passei a observá-la minimamente durante a espera. Seus seios estavam maiores realmente, seus pés estavam um pouco mais inchados e obviamente a saliência em seu estômago tirando isso não conseguia ver algo mais diferente nela. Isa continuava tão bela quanto antes.

- Você é linda sabia? – Inalei o cheiro de seus cabelos, dei um beijo em seu ombro.

- Não precisa mentir Edward, eu sei que estou horrível. – Ela se aconchegou mais em mim. Seus pequenos atos estavam me abalando profundamente, será que ela tinha ideia de como tudo isto está sendo importante para mim?

- Você não sabe de nada Isa, se eu digo que você é linda e continua sendo é porque é verdade.

- Eu sempre duvidei de você nesse aspecto Edward. – Ela riu. – Até porque eu perto da Rosalie sou praticamente ridícula.

- Não diga bobagens Isabella, você dá de dez a zero perto de Rosalie e... Bem, eu sempre preferi as morenas. – Nossos olhos se encontraram e sorri para ela.

- Bobo.

- Você me deixa assim. – murmurei e repousei meu queixo em sua cabeça. Vozes exaltadas ecoaram pela sala, era o casal que estava ali quando chegamos. A mulher de cabelos vermelhos como o fogo gritava.

- Por que você demorou tanto? Por que está tão distante? Caramba eu não engravidei sozinha, por que você não é igual a ele? Todo carinhoso com a mulher? – Os olhos dela estavam marejados e apontava para nós, percebi que Isabella havia enrubescido fortemente.

- Calma amor eu só busquei sua água! – O homem murmurou a abraçando, segurei o riso da cena não estava gozando a situação deles, afinal o próximo poderia ser eu.

Se me perguntassem se eu me senti o cara, eu responderia com toda a certeza. Sim! Pois se a ruiva disse aquilo era porque eu estava fazendo meu papel de pai e marido corretamente. Sim marido, não deixaria Isabella assim ainda mais agora que estávamos ligados eternamente um ao outro.

- Está tudo bem princesa? – Perguntei a ela sorrindo, Isa havia se enroscado em mim igual uma criança. Ela apenas concordou com a cabeça.

- Isabella Swan? – A secretária havia a chamado. – Paul está a sua espera. – Minha menina se levantou e a segui imediatamente.

Ela segurou minha mão olhando-me receosa, em resposta sorri e beijei sua mão enroscada na minha. Entramos juntos no consultório do tal Dr. Willians o local era todo branco e arejado, o sujeito era alto e seus cabelos eram perfeitamente penteados. É o cara era boa pinta não podia negar, o conhecido monstro verde cresceu dentro de mim deixei minha expressão facial séria, algo que dissesse. “Ela é minha, então nem pense em dar uma de esperto para cima dela.”

- Boa tarde Isabella, como está? – Perguntou ele sentado atrás de sua mesa. – Este é o seu companheiro suponho.

-Mais do que apenas companheiro...

Aquelas palavras me nocautearam, fiquei sem palavras e me encontrava muito surpreso com o que Isabella disse. Não consegui refrear o sorriso que havia se formado, beijei-lhe a mão outra vez como um agradecimento mudo por aquelas palavras.

- Paul Willians, médico obstetra prazer em conhecê-lo. – Ele ofereceu a mão em um cumprimento.

- Edward Cullen. – Apertei sua mão com firmeza.

- Sentem-se, por favor. – Eu ajudei Isabella a se acomodar e sentei-me na cadeira ao seu lado, nossos dedos sempre entrelaçados.

- Muito bem. Isabella não preciso repetir toda a explicação a você, mas como é a primeira vez que Edward lhe acompanha tenho que deixá-lo a par de tudo. – Paul olhou diretamente a mim com seriedade.

“A gravidez de Isabella é delicada pelo fato dela ser portadora do HIV, isso faz com que ela tenha o que seguir exatamente tudo que o pré-natal exige e o tratamento para conter o vírus no organismo dela. O risco maior do bebê de vocês ser infectado está na hora do parto, que envolverá o manuseio do sangue e da placenta dela e poderá contaminar para a criança. Mas não é necessário ficarem preocupados o risco de isso acontecer é muito pequeno e eu sei que Isabella está seguindo todo o tratamento corretamente, assim espero.”

- Estou sim. – Isa resmungou. Um alivio sem igual atingiu-me. Nossa criança tem grandes chances de nascer forte e completamente saudável e o melhor de tudo sem este vírus maldito percorrendo em suas veias.

- Ótimo. Algo novo para dizer? Está sentindo algo diferente? – O doutor perguntou.

- Bem, os enjôos ainda continuam mesmo que já tenha se passado a época deles, minhas pernas doem quando eu vou me deitar e ando muito ansiosa de uns tempos para cá... E a bolinha se mexeu. – Isa sorriu empolgada ao dizer isto. – Se mexeu bastante principalmente hoje. – Ela olhou-me pelo canto dos olhos.

- Isso é normal para você Isabella, os enjôos são causados pelos seus hormônios e também porque são sintomas rotineiros do HIV como você sabe, por causa do peso extra que está carregando que suas pernas doem quando se repousa e no caso do feto, você já está na vigésima primeira semana está na hora do bebê mostrar que está aí dentro.

- Tem algo que se possa fazer para melhorar o desconforto que Isa anda sentindo? – perguntei interessado, ela apertou um pouquinho mais minha mão na dela.

- Olha eu te aconselho a massageá-la onde mais a incomoda sempre que irem dormir, e tente a deixar o mais relaxada possível, não precisa se manter ansiosa Isabella. Seria muito bom manterem relações sexuais na gravidez tanto para vocês quanto para o bebê. – Ele sorriu um pouco como se estivesse falando sobre o clima bom que fazia fora do hospital. – Vocês deveriam se matricular em um curso de orientação aos pais, aqui no hospital mesmo tem um muito bom.

- Iremos nos matricular. – Respondi e aceitei o cartão que Paul havia oferecido.

Eu tinha a absoluta certeza que Isa estava constrangida, muito constrangida, ela não queria que eu escutasse aquilo. Bem... Agora que ela não se livraria de mim, não mesmo.

- É... Podemos fazer o ultra-som? – Ela perguntou mordendo o lábio inferior um sinal de pleno nervosismo. – Estou ansiosa para ver a bolinha.

- Claro. – O médico concordou.

Isa entrou por outra porta no consultório e ficou ali por alguns minutos. Ela saiu de lá vestida com uma camisola hospitalar, e mesmo usando aquilo Isabella continuava encantadora aos meus olhos.

- Deite-se. – Paul pediu, Isa obedeceu e eu me acomodei ao seu lado enquanto Dr. Willians preparava os aparelhos.

Não conseguia tirar meus olhos de Isabella, me via completamente e irrevogavelmente apaixonado por aquela mulher que estava deitada ali me olhando com intensidade. Nada mais importava, não interessava o motivo de termos nos separado durante esses meses, não tinha a mínima importância.

O que me importava agora se resumia a apenas a ela e a dádiva que ela me deu. Só de pensar que eu fui o responsável por esta pequena criatura que descansava dentro de Isabella estar ali me sentia desarmado e completamente bobo. Não sabia que poderia existir sentimento tão indestrutível igual ao que crescia em meu coração.

Paul passou um gel em toda a extensão da barriga de Isabella depois passou a escorregar um aparelho ali. Logo na tela da pequena televisão uma imagem escura apareceu. Dois ritmos de batidas foram escutadas.

- Os mais acelerados são os seus Bella. – Ele comentou rindo. – O filho de vocês está bem calminho só de escutar seu coração.

Meu próprio coração disparou em meu peito, aquela era a melhor sensação de todas do mundo. Eu tive a prova que era o meu filho estava realmente ali, presente entre mim e Isabella. Minha visão ficou embaçada por alguns instantes e respirar se tornou algo desnecessário. Eu fui tomado pela a sensação extasiante que eu era pai. Eu... Pai.

Isabella tocou em meu rosto de maneira delicada, chamando minha atenção para ela. Percebi que ela me perguntava se tudo estava bem com seu olhar, eu não poderia estar melhor. Não me importei com a reação dela, apenas colei nossos lábios por um breve momento.

- Acho que já podemos ver o sexo do bebê, vocês querem descobrir? – Ele perguntou sereno. Olhei Isabella com o sorriso mais babaca do planeta, ela respondeu por nós.

- Com certeza. Eu não aguento mais essa espera! – Isa sorriu e prendeu minha mão direita novamente com a dela.

- Muito bem, vamos lá. – O doutor passou um pouco mais o aparelho no abdômen da minha menina.

Era o meu filho na tela, eu sei que estou parecendo o maior de todos os idiotas, mas a euforia que me tomava era inexplicável, me peguei ansioso em ter aquele bebê em meus braços junto com Isabella. Vivendo uma vida perfeita demais para mim, eu merecia aquela felicidade tão grande?

- O filho de vocês está encolhidinho parece estar dormindo. – Paul disse me deixando ainda mais nervoso.

- Agora ele dorme? Mais cedo parecia um lutador de judô de tanto que se movimentava. – Isa grunhiu um pouquinho emburrada.

- Se acalme princesa, se não der para vermos hoje na próxima descobrimos. – Tentei acalmá-la. Depois de alguns minutos, não obtivemos sucesso. Nossa bolinha, como Isabella o chamava não estava cooperando.

- Pelo visto não tem jeito. – ela murmurou insatisfeita.

- Espere um pouco, acho que consegui! – Paul exclamou e eu fiquei ainda mais retardado naquele dia.



Notas finais do capítulo

Gente não se esqueçam de comentar.
Tive uma ajuda colossal da minha beta linda Giihrsouza.
Obrigada realmente por todas vocês que me dizem no que eu devo melhorar.
Mil beijos
Mandy.